Desenvolvimento Organizacional: Estratégias para Transformar e Potencializar sua Empresa
- RHEIS Consulting

- 26 de out. de 2023
- 9 min de leitura
Atualizado: 9 de jan.
Sabia que a sua equipe pode se beneficiar de alta eficiência e aumento da produtividade? Uma boa maneira de alcançar esses resultados e uma quantidade indeterminada de outros benefícios é através do Desenvolvimento Organizacional (DO).
O que é uma Organização?
Uma organização é um conjunto estruturado de pessoas, recursos e processos que trabalham juntos para alcançar objetivos comuns, como produzir bens, prestar serviços, gerar lucro ou cumprir uma missão social. Ela pode ser formal ou informal, pública ou privada, e envolve a coordenação de recursos humanos, financeiros e materiais para atingir metas.
Elementos-chave:
Pessoas: colaboradores em diferentes funções.
Objetivos: metas que orientam ações (lucro, crescimento, inovação, responsabilidade social).
Estrutura: hierarquia e divisão funcional (diretoria, departamentos, setores).
Processos e recursos: métodos, tecnologia, capital, materiais e informações para gerar valor.
Características:
Propósito definido.
Divisão de tarefas e responsabilidades.
Interação entre pessoas e setores.
Relação com o ambiente externo (mercado, sociedade, governo).
O que é Desenvolvimento Organizacional (DO)?
O Desenvolvimento Organizacional (DO) surgiu nos anos 1960 para ajudar organizações a se adaptarem a mudanças no mercado e na estrutura empresarial. Teve como precursor Leland Bradford (T-Group Theory and Laboratory Methods, 1964) e se baseia na Teoria Comportamental com enfoque sistêmico.
O DO é um conjunto de estratégias planejadas para promover mudanças em processos, estruturas, comportamentos e cultura, visando melhores resultados, adaptação e sustentabilidade.
Diferente do RH, que foca no indivíduo, o DO atua nos sistemas, processos e na cultura organizacional, buscando engajamento, alinhamento de objetivos, espírito de equipe e capacidade de adaptação.
Propósitos e Aplicações
O DO estuda o comportamento organizacional para explicar, prever e influenciar ações. Isso envolve análise de produtividade, cidadania, absenteísmo e rotatividade, considerando variáveis como habilidades interpessoais, estrutura, planejamento, clima e cultura.
Oportunidades e desafios do DO:
Aumentar produtividade e qualidade.
Desenvolver habilidades por meio de motivação, treinamento e liderança.
Administrar diversidade e culturas diferentes.
Promover flexibilidade e adaptação a um mercado dinâmico.
Incentivar lealdade, motivação e ética no ambiente de trabalho.
Manter a competitividade e a capacidade de enfrentar desafios futuros.
Características do Processo de Desenvolvimento Organizacional (DO)
O Desenvolvimento Organizacional (DO) é uma abordagem sistêmica e planejada para promover mudanças duradouras na cultura, estrutura e processos de uma organização, com foco na melhoria contínua da eficácia organizacional e no bem-estar de seus colaboradores. Trata-se de um processo educativo intencional, que se diferencia por envolver todos os níveis organizacionais e por basear-se em dados e métodos científicos.
Veja a seguir as principais características desse processo:
1. Abrange Toda a Organização
O DO considera que mudanças organizacionais significativas só são sustentáveis quando envolvem toda a organização. Por isso, o processo é desenhado para integrar pessoas, departamentos, processos e estruturas, promovendo coesão, alinhamento e resposta conjunta às mudanças.
2. Mudança de Longo Prazo
O Desenvolvimento Organizacional não se limita a soluções rápidas ou pontuais. É um processo contínuo e de longo alcance, que exige tempo, comprometimento e acompanhamento. Mudanças profundas em cultura, comportamento e estrutura raramente ocorrem de forma imediata.
3. Abordagem Sistêmica
O DO tem uma orientação sistêmica: analisa a organização como um todo interdependente, considerando tanto as estruturas formais (cargos, processos) quanto as informais (relações interpessoais, cultura). O foco está nas interações entre os grupos, não apenas nos grupos isoladamente.
4. Agente de Mudança
A mudança organizacional costuma ser conduzida com o auxílio de um agente de mudança, que pode ser interno (alguém da própria empresa) ou externo (consultor especializado). O agente atua como facilitador do processo, auxiliando no diagnóstico, planejamento, implementação e avaliação das mudanças. O ideal é que haja uma colaboração estreita entre o agente de mudança, a alta liderança e o RH, formando uma tríade estratégica.
5. Foco na Solução de Problemas
O DO utiliza a abordagem de pesquisa-ação, na qual as intervenções são baseadas na identificação de problemas reais, a partir de dados concretos, e acompanhadas por ações práticas. O objetivo é resolver questões organizacionais relevantes, com foco em resultados e melhorias sustentáveis.
6. Aprendizagem Experiencial
O processo valoriza a aprendizagem ativa e prática, em vez de treinamentos exclusivamente teóricos. Os colaboradores aprendem por meio de simulações, dinâmicas, feedbacks e vivências que refletem situações reais do ambiente de trabalho. A aprendizagem é voltada para mudanças comportamentais e culturais duradouras.
7. Gestão Participativa e Colaborativa
Diferentemente do modelo tradicional, em que as ordens vêm de cima, o DO promove uma gestão colaborativa, em que líderes e liderados participam ativamente da construção das mudanças. A hierarquia não desaparece, mas o processo se torna mais horizontal, favorecendo o engajamento e o comprometimento coletivo.
8. Trabalho com Processos de Grupo
O DO atua fortemente em processos grupais, como a construção da confiança, resolução de conflitos, escuta ativa, empatia e abertura ao diálogo. Técnicas de dinâmicas de grupo, team building e mediação são frequentemente utilizadas para melhorar o clima e as relações interpessoais.
9. Respeito à Cultura Organizacional
Cada organização possui uma cultura própria, com valores, crenças e práticas singulares. O DO reconhece essa diversidade e evita aplicar soluções padronizadas. O processo parte do entendimento da cultura vigente e busca transformações que respeitem esse contexto, promovendo mudanças progressivas e sustentáveis.
10. Uso de Feedback como Ferramenta
O feedback contínuo é essencial no DO. Informações coletadas sobre comportamentos, resultados e percepções são devolvidas aos envolvidos de forma estruturada, para que sirvam como base para a tomada de decisões, correções de rota e ações de melhoria. O feedback torna-se uma prática permanente e construtiva.
11. Orientação Situacional e Contingencial
O DO é flexível e adaptável às necessidades específicas de cada organização. Não existem fórmulas únicas. As intervenções são customizadas conforme o diagnóstico e a situação. Estratégias distintas são adotadas conforme o porte, setor, cultura e momento vivido pela organização.
12. Fortalecimento do Trabalho em Equipe (Team Building)
Um dos principais objetivos do DO é melhorar a cooperação entre equipes, estimular a interdependência positiva e promover um ambiente de colaboração. Conflitos e barreiras entre áreas são tratados com ferramentas que favorecem a integração e o trabalho conjunto em prol de objetivos comuns.
O Desenvolvimento Organizacional é mais do que um conjunto de técnicas. É uma filosofia de transformação, que valoriza as pessoas, a aprendizagem e o crescimento contínuo. Sua abordagem humanista, estratégica e baseada em evidências faz dele uma das práticas mais eficazes para promover mudanças reais e sustentáveis no ambiente corporativo.
Etapas do Desenvolvimento Organizacional
O Desenvolvimento Organizacional (DO) é um processo estruturado de mudança contínua.
Diagnóstico: Identificação de problemas e oportunidades. Ferramentas: pesquisa de clima, entrevistas, SWOT, grupos focais.
Planejamento: Definição de estratégias, metas, prioridades e prazos. Ferramentas: planejamento estratégico, roadmap de mudança.
Comunicação: Alinhamento e engajamento das pessoas sobre o porquê e o como da mudança. Ferramentas: reuniões, campanhas internas, workshops.
Capacitação: Desenvolvimento de competências para sustentar as mudanças. Ferramentas: treinamentos, coaching, mentoria, simulações.
Implementação: Execução das ações e testes piloto. Ferramentas: gestão de projetos (Kanban, Scrum).
Monitoramento: Acompanhamento de resultados e ajustes. Ferramentas: KPIs, feedbacks, revisões periódicas.
Consolidação: Integração das mudanças à cultura e aos processos. Ações: revisão de políticas, reconhecimento, padronização.
Modelo de Beckhard e Harris
Richard Beckhard e Reuben T. Harris publicaram pela primeira vez sua equação de mudança em 1977 em “Transições Organizacionais: Gerenciando Mudanças Complexas”, e ainda é útil hoje. Eles afirmas os fatores necessários para que a mudança organizacional ocorra com sucesso. O modelo considera que, para superar a resistência à mudança, três elementos fundamentais precisam estar presentes em intensidade suficiente: insatisfação com o estado atual, desejo por uma nova realidade e praticidade do processo de mudança.
A fórmula pode ser expressa da seguinte forma: D × V × F > R
D (Insatisfação): Quanto maior, mais pressão para a mudança.
V (Visão/Desejo): Uma visão clara do futuro é essencial para motivar.
F (Praticidade): Sem um plano viável, a mudança não se concretiza.
R (Resistência à Mudança): A força que deve ser superada.
Segundo o modelo, se qualquer um dos três fatores (D, V ou F) for insuficiente, a resistência à mudança será maior e a transformação não ocorrerá. Esta parece ser uma declaração simples, mas é surpreendentemente poderosa quando usada para estruturar um caso de mudança. Vamos definir cada elemento e ver por que você precisa dele:
Insatisfação (D): A insatisfação representa o desconforto com a situação atual. Para que uma mudança seja iniciada, as pessoas ou a organização precisam perceber que o estado atual é problemático ou que há uma necessidade urgente de mudança. Quanto maior a insatisfação, maior será a disposição para agir.
Desejo (V): O desejo é a visão de um futuro melhor. É a motivação para alcançar uma realidade mais promissora, como maior eficiência, melhor clima organizacional ou resultados financeiros superiores. Esse desejo cria um objetivo claro e inspira as pessoas a se movimentarem em direção à mudança.
Praticidade (F): Refere-se ao quão viável e realista é o plano para implementar a mudança. Isso inclui a disponibilidade de recursos, estratégias bem definidas e ações concretas que possam ser executadas. Sem praticidade, mesmo uma forte insatisfação e desejo podem não resultar em mudanças.
Resistência à Mudança (R): A resistência é a barreira natural que surge quando se tenta alterar o status quo. Ela pode vir do medo do desconhecido, falta de confiança no processo ou comodidade com a situação atual.
Exemplo prático com cálculo
Uma empresa quer implantar um novo sistema de gestão. Após pesquisa interna, define-se (escala 0 a 10):
D = 6 → muitos retrabalhos, erros e atrasos.
V = 7 → visão clara de mais produtividade e menos falhas.
F = 5 → existe plano, equipe e orçamento mínimo.
R = 150 → medo da tecnologia, acomodação, insegurança.
D × V × F > R → Cálculo: 6 × 7 × 5 = 210
Como 210 > 150, a mudança tende a acontecer.
Se a empresa não explicasse bem os benefícios (V = 3): 6 × 3 × 5 = 90 → 90 < 150 → a mudança fracassa, mesmo com problemas e plano.
O modelo mostra que não basta ter problemas. É preciso visão clara e plano prático, fortes o suficiente para superar a resistência.
Benefícios do DO para engajar uma equipe
Agora que você já entendeu o conceito, podemos te justificar a importância da prática. Com esses entendimentos, você não medirá esforços para alcançar as melhores medidas. Segue alguns dentre vários benefícios da implantação do DO em sua Empresa. Acompanhe!
Maior satisfação das equipes: Colaboradores se sentem valorizados e motivados, aumentando o engajamento e a produtividade.
Melhoria da comunicação: Feedbacks claros e interação aberta alinham todos aos objetivos e valores da empresa, facilitando a aceitação de mudanças.
Desenvolvimento dos colaboradores: Treinamentos, workshops e programas de capacitação aumentam habilidades e competências para atender às demandas do mercado.
Clima organizacional positivo: Reduz conflitos e cria um ambiente amigável, prevenindo desgastes e mantendo a equipe unida.
Aumento da produtividade: Clareza nos processos e resolução eficiente de problemas evita atritos e melhora os resultados.
Melhoria contínua: Processo cíclico de planejamento, implementação, avaliação e ajustes promove renovação constante e evolução da empresa.
Aprimoramento de produtos e serviços: A inovação surge do engajamento dos colaboradores e da análise do mercado, aumentando criatividade e qualidade.
Crescimento do lucro: Maior produtividade, inovação e satisfação dos funcionários reduzem custos, absenteísmo e rotatividade, aumentando eficiência e resultados financeiros.
Conclusão
Antes e/ou durante o processo de desenvolvimento é necessário fazer um diagnóstico organizacional, que consiste em um conjunto de ações e análises que irá auxiliar os gestores, investidores e demais interessados a avaliarem profundamente sua empresa, conseguindo detectar seus pontos fortes, fracos, oportunidades e ameaças (SWOT).
Com esta análise, é possível identificar e até mesmo prevenir problemas, bem como encontrar soluções mais certeiras para resolvê-los. Você conseguirá formular todo um mapeamento de oportunidades e pontos que necessitam de melhorias, fornecendo um melhor embasamento para a tomada de decisão. Mas engana-se quem pensa que apenas empresas que estão encarando problemas precisam de um diagnóstico.
A RHEIS Consulting impulsiona o desenvolvimento humano nas organizações através da tecnologia. Nossa solução de Diagnóstico e Desempenho Organizacional 360™ oferece uma análise completa para identificar a situação atual da sua empresa. Com base nessa análise, indicamos as melhores estratégias para otimizar o desenvolvimento organizacional em diversas dimensões, como pessoas, alinhamento de equipes, liderança e operações. Entre em contato e saiba como podemos ajudar a sua organização!
Podcast

Sugestão de Livros:
Comportamento Organizacional - A Dinâmica do Sucesso das Organizações (Idalberto Chiavenato);
Organizações exponenciais (Michael S. Malone, Salim Ismail, Yuri Van Geest);
Reinventando as Organizações (Frederic Laloux);
Comportamento Organizacional (Stephen P. Robbins, Timothy A. Judge);
O coração da mudança: transformando empresas com a força das emoções (John P. Kotter, Dan Cohen);
Motivação nas Organizações - Nem todos fazem as mesmas coisas pelas mesmas razões (Cecília Whitaker Bergamini);
Vencedoras por opção: incerteza, caos e acaso - Por que algumas empresas prosperam apesar de tudo (Jim Collins).



Comentários