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O que é a Revolução 4.0

“Estamos a bordo de uma revolução tecnológica que transformará fundamentalmente a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. Em sua escala, alcance e complexidade, a transformação será diferente de qualquer coisa que o ser humano tenha experimentado antes”. (Klaus Schwab).

Embora as revoluções industriais remetam a passagens registradas séculos atrás, neste caso, o movimento é bastante recente. O marco inicial aponta para uma estratégia adotada pelo governo alemão para o setor industrial no início da segunda década deste milênio.


Um grupo de trabalho liderado por Siegfried Dais (Robert Bosch GmbH) e Henning Kagermann (German Academy of Science and Engineering), desenvolveu um projeto que consistia na implementação de soluções tecnológicas em unidades fabris.


A ideia era promover a informatização da manufatura e a integração de dados. Em 2011, o grupo mencionou o trabalho durante a Feira de Hannover, na Alemanha. O projeto continuou e, na edição de 2013 da mesma feira, o relatório final sobre a indústria 4.0 foi apresentado, tornando o conceito conhecido a todos nós. Nascia ali a ideia de fábricas inteligentes, nas quais as máquinas e equipamentos podiam tomar decisões com base em dados.


O alemão Klaus Schwab diretor e fundador do World Economic Forum foi quem desenvolveu o conceito da quarta revolução industrial, ou Indústria 4.0.

A revolução 4.0 surge a partir das fábricas inteligentes e cria oportunidades de novos modelos de negócios para empreendedores e empresas com foco em inovação. Envolve uma nova forma de pensar e agir disruptiva.

Conforme Schwab (2016), as revoluções configuram mudanças radicais na história, a partir de tecnologias e novas formas de ver o mundo. Se fizermos uma retrospectiva breve:

  • Revolução Agrícola: combinou a força dos animais e dos seres humanos, em benefício da produção;

  • 1ª Revolução Industrial (1760-1840): provocada pela construção de ferrovias e pela invenção da máquina a vapor, deu início a produção mecânica;

  • 2ª Revolução Industrial (final séc XIX): provocada pelo advento da eletricidade e da linha de montagem, possibilitou a produção em massa;

  • 3ª Revolução Industrial (1960): revolução digital ou do computador, foi impulsionada pelo desenvolvimento de semicondutores, computação em mainframes(1960), computação pessoal(1970 e 1980), internet (1990);

  • 4ª Revolução Industrial (séc.XXI): sistemas e máquinas inteligentes conectadas, novas descobertas como sequenciamento genético, nanotecnologia, energias renováveis, computação quântica.

Inovações Tecnológicas


Já estamos vivendo com as principais inovações tecnológicas previstas na Revolução 4.0:

  • Inteligência Artificial: diz respeito a uma área da computação, que permite às máquinas realizarem tarefas, aprenderem, raciocinarem e tomarem decisões, sem a interferência do ser humano.

  • Robótica: a partir de sensores os robôs conseguem entender o ambiente e executar diferentes tarefas, em diferentes setores como: agrícola, médico e indústrias de modo geral.

  • Internet das coisas (IoT): diz respeito a junção de objetos à rede, visando aperfeiçoar a utilização deles e torna-los mais inteligentes. Exemplos: televisões conectadas à internet, smartfones, carros automatizados, geladeiras e relógios inteligentes.

  • Veículos autônomos: carros, caminhões, aviões, barcos e drones não possuirão motorista e conseguirão executar diferentes atividades automaticamente.

  • Impressão em 3D: diz respeito a fabricação de um objeto por impressão a partir de um desenho ou modelo digital em 3D. Possibilita a criação de um objeto em três dimensões a partir de modelo digital.

  • Nanotecnologia: é o estudo da manipulação de material em escala atômica e molecular, possibilitando a criação de novos materiais e produtos numa escala de tamanho nanométrica.

  • Biotecnologia: é a tecnologia utilizando sistemas biológicos, organismos vivos, para fabricar ou aprimorar produtos e processos visando o desenvolvimento da ciência e inovação.

  • Computação quântica: é a união da física com a computação, ciência que estuda o desenvolvimento de softwares e algoritmos a partir de átomos, fótons e partículas subatômicas. Os computadores passam a operar conforme as leis da física quântica.

  • Big Data: é um termo da Tecnologia da Informação para tratar grandes volume de dados que são processados e armazenados, gerando informações de qualidade para os tomadores de decisão. O profissional que atua com o Big Data é um cientista de dados.

A indústria 4.0 possibilita:

  • Inovação: A Indústria 4.0 possibilita inovação e a implantação de novos modelos de negócios. Os produtos trarão junto novos serviços e as máquinas e equipamentos poderão se comunicar. Será possível acompanhar todos os processos da cadeia produtiva de forma remota.

  • Customização de novos modelos de Negócio: As máquinas inteligentes possibilitam a customização em massa, personalizando produtos e serviços aos consumidores. Também a gestão e a relação com o consumidor se fortalecem e é possível adotar novos modelos de negócios.

  • Redução de Custos e aumento dos lucros: A partir da conexão tecnológica de toda a empresa, do acesso de dados diversos em tempo real, a produção sob demanda e o aumento de flexibilidade, é possível tornar a organização mais eficiente, trazendo a redução de custos tanto de operação quanto de gestão.

Um Relatório do Fórum Econômico Mundial em 2015, identificou 21 pontos de inflexão (momento em que mudanças tecnológicas chegam à sociedade) que irão moldar o futuro digital dos próximos 10 anos. Foram entrevistados mais de 800 executivos e especialistas do setor de tecnologia da informação e comunicação que esperavam ver a ocorrência dos pontos de inflexão até 2025. Alguns deles já são realidade hoje!

Pontos de Inflexão até 2025

Percentual dos entrevistados

10% das pessoas com roupas conectadas a Internet

91,2%

90% das pessoas terão armazenamento ilimitado e gratuito

91%

1 trilhão de sensores conectados a Internet

89,2%

O primeiro farmacêutico robótico dos EUA

86,5%

10% de óculos de leitura conectados a Internet

85,5%

80% das pessoas com presença digital na Internet

84%

Produção do primeiro carro impresso em 3D

84,1%

Princípios da Revolução 4.0


Como destacamos antes, o termo indústria 4.0 surgiu de um projeto de um grupo de trabalho presidido por Siegfried Dais e Henning Kagermann. Em 2012, eles apresentaram um relatório de recomendações para o governo alemão, planejando a implementação e desenvolvimento do que chamaram de indústria 4.0.


Segundo eles, seis princípios caracterizam o projeto, são os seguintes:

  1. Tempo real: a capacidade de coletar e tratar dados de forma instantânea, permitindo uma tomada de decisão qualificada em tempo real;

  2. Virtualização: é a proposta de uma cópia virtual das fábricas inteligentes, graças a sensores espalhados em toda a planta. Assim, é possível rastrear e monitorar de forma remota todos os seus processos;

  3. Descentralização: é a ideia da própria máquina ser responsável pela tomada de decisão, por conta da sua capacidade de se autoajustar, avaliar as necessidades da fábrica em tempo real e fornecer informações sobre seus ciclos de trabalho;

  4. Orientação a serviços: é um conceito em que softwares são orientados a disponibilizarem soluções como serviços, conectados com toda a indústria;

  5. Modularidade: permite que módulos sejam acoplados e desacoplados segundo a demanda da fábrica, oferecendo grande flexibilidade na alteração de tarefas;

  6. Interoperabilidade: pega emprestado o conceito de Internet das Coisas, segundo o qual as máquinas e sistemas podem se comunicar entre si.

1. Exemplos de Mudanças na Revolução 4.0

  • Airbnb: é a maior empresa de hospedagem do mundo e não possui nenhum imóvel;

  • Uber: é a maior empresa de táxis do mundo e não possui nenhum veículo;

  • Alibaba: é o varejista mais valioso e não possui estoques;

  • Google: revolucionou a pesquisa, a busca e o tratamento das informações no mundo todo;

  • Facebook: revolucionou a interação social ao redor do mundo;

  • Whatsapp: possibilitou o contato virtual de forma rápida sem a necessidade de ligação telefônica.



Quais São Os Benefícios Da Indústria 4.0?


Aqueles que são mais receosos com relação às mudanças, principalmente tecnológicas, podem ter mais dificuldade de enxergar as vantagens da indústria 4.0. Mas a verdade é que a Quarta Revolução Industrial trouxe muitos benefícios, seja para o mundo dos negócios ou para a sociedade como um todo.


Confira a seguir os principais deles:


1. Novos Modelos De Negócios


A indústria 4.0 é marcada pela tecnologia e pela capacidade inovadora. Com isso, novos modelos de negócios surgem no mercado. As empresas utilizam as ferramentas digitais para suprir demandas dos consumidores e oferecer experiências diferenciadas.


Basta se lembrar de algumas empresas que começaram suas atividades há pouco tempo e observar como elas têm transformado a forma como vivemos. Hoje, praticamente, fazemos tudo pelo celular e conectados à internet.


2. Atividades mais Eficientes e Práticas


É impossível negar que a automatização gera mais produtividade. O poder das máquinas torna as tarefas mais eficientes e, certamente, mais práticas. Com as tecnologias, diversas operações foram facilitadas, sobretudo com a troca do serviço manual por capital intelectual.


3. Processos mais Seguros e Ágeis


A agilidade é uma consequência da eficiência promovida na era 4.0. As soluções tecnológicas, sem dúvida, aumentam a velocidade de produção. Além disso, o consumidor atual é imediatista e demanda que as empresas ofereçam soluções cada vez mais rápidas. A tecnologia ainda contribui para melhorar a segurança dos processos.


4. Personalização

Personalização é palavra de ordem na indústria 4.0. Se, há algumas décadas, os consumidores eram “obrigados” a consumir o que era ofertado, hoje, a realidade é bem diferente.


Os clientes querem serviços e produtos únicos, que atendam às suas necessidades e desejos de maneira específica. A indústria 4.0 permite que as customizações sejam feitas com excelência.


5. Otimização de Recursos


A preocupação com o meio ambiente é cada vez mais frequente entre as empresas.

Em um passado não tão distante, a preocupação das indústrias com seus impactos era bem menor.


Mas, agora, elas têm adotado práticas sustentáveis para usar os recursos de maneira inteligente. Até mesmo a energia pode ser economizada com as tecnologias existentes.

Vale ressaltar que essa otimização não se restringe apenas aos recursos ambientais.

Os aspectos humanos e sociais também são beneficiados.


6. Redução de Erros


O uso das tecnologias reduz a ação humana nos processos. Como consequência, os erros são minimizados. Isso porque as máquinas são preparadas, por exemplo, para executar tarefas repetitivas de modo eficaz. Já uma pessoa é mais suscetível a falhas em atividades desse tipo.


7. Diminuição dos Gastos


Quando o negócio mexe no bolso, as vantagens atingem outro patamar, não é verdade?

E um dos principais benefícios da Indústria 4.0 é, justamente, a diminuição dos gastos. Isso se deve, principalmente, à inteligência das máquinas. Além de possuírem autonomia para programar manutenções, as tecnologias evitam o desperdício de matérias-primas.


As 10 Tecnologias Essenciais da Indústria 4.0


Partindo dos princípios listados acima, ferramentas e sistemas incorporam a dinâmica da indústria 4.0. Seu propósito maior é tornar as máquinas mais eficientes e os processos produtivos mais enxutos, encurtando o tempo e os recursos necessários para produzir com qualidade.


A seguir, dentre muitas tecnologias, destacaremos apenas dez que estão viabilizando a Quarta Revolução Industrial.


1. Internet Das Coisas


A internet das coisas, também conhecida pela sigla IoT (de Internet of Things), é um conceito que trata da conexão de aparelhos físicos à rede. Não se trata de ter mais dispositivos para acessar a internet, mas sim a hiperconectividade ajudando a melhorar o uso dos objetos.


Isso acontece dentro das residências (televisão, ar condicionado, geladeira e campainha conectados, por exemplo). Mas também nas indústrias, com máquinas gerando relatórios instantâneos de produção para o software de gestão na nuvem.


Essa possibilidade é uma das bases da indústria 4.0.


2. Big Data


Big data é o termo utilizado para se referir à nossa realidade tecnológica atual, em que uma quantidade imensa de dados é coletada e armazenada diariamente na rede.

Também é um conceito-chave para a Quarta Revolução Industrial, porque são esses dados que permitem às máquinas trabalharem com maior eficiência.


Eis aqui uma questão que um filósofo julgaria um paradoxo: são desenvolvidos algoritmos que permitem aos robôs tratarem e aproveitarem grande parte desses dados.


Afinal, os humanos não têm a capacidade de fazer isso por conta própria. A ironia é que esses algoritmos são criados por cientistas da computação, que são seres humanos.


3. Inteligência Artificial


Com o big data (coleta, armazenamento e tratamento de dados) e da internet das coisas (conexão entre máquinas e sistemas), uma fábrica tem as ferramentas básicas para entrar na Quarta Revolução Industrial.


Para uma atuação realmente inovadora, no entanto, falta a inteligência artificial (IA), que é o que permite a tomada de decisão da máquina sem a interferência humana.

Essa é uma questão bastante polêmica e temida por muitos que tentam enxergar o futuro da IA a longo prazo, tema que abordaremos mais adiante.


4. Segurança


A segurança do trabalho está longe de ser uma questão nova. Está entre as maiores preocupações de grandes empresas, que dedicam diretorias inteiras para cuidar da área.


O problema é que quase todo o conhecimento acumulado ao longo de décadas sobre o assunto foca no comportamento humano. Com fábricas cada vez mais automatizadas e máquinas inteligentes, o viés da segurança do trabalho muda um pouco.


A preocupação passa a ser menos manuais de conduta e mais robustez nos sistemas de informação e prevenção de problemas na comunicação entre as máquinas.


5. Computação Em Nuvem


Na computação em nuvem, os sistemas são armazenados em servidores compartilhados e interligados pela internet, de modo que possam ser acessados em qualquer lugar do mundo.


No contexto da indústria 4.0, isso permite ultrapassar os limites dos servidores da empresa e ampliar as possibilidades de conectividade entre sistemas. Tudo isso com menos custo e de forma mais ágil e eficiente que o modelo antigo.


6. Cobots


O futuro, sob muitos ângulos, é colaborativo, e os cobots são prova dessa tendência. Seu nome vem de uma junção entre “collaborative” e “robot”, formando uma explicação simples e clara sobre a função dessas máquinas.


Elas servem para desempenhar tarefas difíceis, repetitivas ou que demandam grande esforço, com a vantagem de serem capazes de trabalhar lado a lado com humanos. Esse é um grande diferencial, uma vez que a maioria das linhas de montagem que contam com robôs acabam restringindo o acesso de pessoas, pois as máquinas representam riscos à sua integridade física.


Por não dispor de inteligência ou bom senso, robôs comuns podem acabar ferindo trabalhadores desavisados que interfiram em suas atividades. Já os cobots são dotados de sensores que paralisam qualquer movimento antes que prejudiquem uma pessoa, além de permitir que o empregado os controle temporariamente para os tirar do caminho, por exemplo.


7. Digital Twin


Emprestado do inglês, o termo já conta com tradução e utilização por parte de empresas nacionais. Gêmeos digitais são modelos replicados que existem virtualmente e são dinâmicos, permitindo simulações e coleta de dados para facilitar a manutenção preventiva.


Ou seja, essa tecnologia serve para monitorar equipamentos e sistemas, rastreando falhas e prevenindo pequenos ou grandes eventos, desde a quebra de um acessório até um acidente com vítimas.


Um exemplo do uso de digital twins são motores de avião produzidos pela GE Aviation, que possuem uma série de sensores que geram dados, em tempo real, sobre sua performance.


Eles contam com gêmeos digitais que possibilitam monitorar suas condições, mesmo a distância, prezando pelo bom funcionamento, prevenção de falhas e segurança.


8. Manufatura Aditiva


Corresponde a uma das principais tecnologias de impressão 3D, através da qual um objeto é fabricado a partir da adição de camadas finas, uma sobre a outra. A manufatura aditiva auxilia tanto na visualização de moldes odontológicos, por exemplo, quanto na produção de itens que serão utilizados pelo usuário final.


Peças pequenas e grandes, prédios e até órgãos humanos já foram impressos com sucesso por meio do processo, que tem sido adaptado para atender a diferentes finalidades.


Como a impressão 3D se baseia em protótipos detalhados, construídos em softwares específicos, ela confere não apenas agilidade, mas também personalização aos itens. Em um futuro próximo, indústrias podem pedir instruções ao cliente e fabricar produtos com as características que eles desejam, melhorando toda a experiência de compra e uso.


9. Biologia Sintética


Segundo a definição do GTI 4.0, biologia sintética:

“É a convergência de novos desenvolvimentos tecnológicos nas áreas de química, biologia, ciência da computação e engenharia, permitindo o projeto e construção de novas partes biológicas tais como enzimas, células, circuitos genéticos e redesenho de sistemas biológicos existentes.”

Bioquímica, engenharia genética e bioinformática são as disciplinas que viabilizam a criação de partes ou organismos artificiais, que poderiam atender à medicina ao combater doenças hoje incuráveis.


10. Sistemas Cyber Físicos (CPS)


Essencial para a integração entre máquinas e sistemas na indústria 4.0, o CPS faz a ligação entre os sistemas e a parte mecânica da fábrica. Por meio de sensores, informações obtidas por softwares são encaminhadas, armazenadas e podem gerar insights a respeito do funcionamento das máquinas, dando suporte na manutenção preditiva.


Outra vantagem é o envio de alertas e a composição de relatórios, além de dar base à interação entre o mundo físico e o virtual.


O mercado de trabalho na era da Indústria 4.0


É inegável que a indústria 4.0 terá um impacto no mercado de trabalho. Como deixamos claro no início do texto, a indústria 4.0 potencializa a automação. O que basicamente significa que as máquinas assumem ainda mais funções humanas. Para você ter uma ideia, até já saiu notícia de um robô-jornalista da Google, que projeta escrever 30 mil notícias por mês.


Claro que, com a nova realidade, surgem novas profissões, como o cientista de dados.

Sem contar que os profissionais cuja posição deixa de existir podem ser realocados para atividades estratégicas, como sugerimos antes. Mas tudo indica que o saldo, no final, será negativo.


As máquinas inteligentes vão resultar em demissões no mundo todo. Especialmente na Europa, governantes e economistas começam a planejar uma solução para esse problema.


Uma das ideias propostas é aperfeiçoar o Estado de bem-estar social que vigora com sucesso especialmente em países nórdicos, como a Dinamarca do economista Erik Brynjolfsson.


No livro "A segunda era das máquinas", Brynjolfsson afirma que a sociedade precisa discutir a distribuição da prosperidade com urgência. Afinal, a indústria 4.0 trará riqueza para alguns, mas a demissão de milhões.


Em 2016, uma pesquisa feita junto a empresários de 15 economias estimou que as novas tecnologias suprimiriam até 7 milhões de postos de trabalhos em países industrializados nos cinco anos seguintes. Para o economista dinamarquês, devem ser consideradas soluções como o aumento de impostos ou a renda básica universal.



Principais Desafios da Indústria 4.0


Um dos grandes problemas da economia brasileira é que ela é baseada em serviços e em produtos de pouco valor agregado, altamente sujeitos à volatilidade do mercado internacional e com margens de lucro pequenas.


A indústria se encontra estagnada e pode-se dizer que estamos na rabeira tecnológica, mesmo se comparados a outros países em desenvolvimento.


Ou seja, implantar a realidade da Quarta Revolução Industrial é um desafio, tendo em vista que sempre engatinhamos nas revoluções anteriores. Para não ficar para trás, o país precisa formar profissionais qualificados, para planejar, executar e gerenciar as inovações tecnológicas.


Além do conhecimento técnico, é necessário estimular a criatividade, proatividade e gosto de inovação. E ofertar uma melhor infraestrutura em logística e telecomunicações.


Indústria 4.0 no Brasil


1. Agenda Brasileira para a Indústria 4.0


Como a maioria dos elementos da Quarta Revolução Industrial já estão presentes no mercado e têm o potencial de elevar a lucratividade, diversos países têm incentivado o desenvolvimento da indústria 4.0 em seu território.


Para tanto, é necessário que estabeleçam objetivos e tracem planos para impulsionar e favorecer a modernização de suas fábricas, começando por um mapeamento para saber em que fase elas se encontram.


No Brasil, esse processo começou em junho de 2017, quando associações, governo e indústrias se uniram para formar o Grupo de Trabalho para a Indústria 4.0 (GTI 4.0).

Integrando mais de 50 entidades representativas, o GTI 4.0 nasceu com a missão de elaborar uma proposta de agenda nacional para o tema.


Para tanto, foram definidas quatro premissas:

  • Fomentar iniciativas que facilitem e habilitem o investimento privado, haja vista a nova realidade fiscal do país

  • Propor agenda centrada no industrial/empresário, conectando instrumentos de apoio existentes, permitindo uma maior racionalização e uso efetivo, facilitando o acesso dos demandantes, levando o maior volume possível de recursos para a “ponta”

  • Testar, avaliar, debater e construir consensos por meio da validação de projetos-piloto, medidas experimentais, operando com neutralidade tecnológica

  • Equilibrar medidas de apoio para pequenas e médias empresas com grandes companhias.

Após meses de debates, o GTI 4.0 finalizou a Agenda Brasileira para a Indústria 4.0, com a proposta de oferecer condições para que os empresários dispostos alcancem a transformação digital, aumentando a competitividade da indústria nacional.


2. As 8 Etapas da Agenda Brasileira para a Indústria 4.0


Inicialmente, a jornada para atualização do setor produtivo no país deve seguir por oito etapas principais:

  1. Sensibilização – consiste na difusão do conhecimento sobre o tema, a fim de conscientizar os empresários sobre a necessidade de modernização

  2. Avaliação e oportunidades de negócios – a ideia é oferecer uma plataforma que permita ao industrial avaliar dimensões tecnológicas, operacionais, organizacionais e estratégicas para saber quais os primeiros passos rumo à transformação digital

  3. Fábricas do futuro – são ambientes reais para testes de soluções inovadoras (ou testbeds) que ficarão disponíveis para as indústrias que desejarem se arriscar, testando tecnologias inovadoras

  4. Conexão entre startups e indústrias – através do programa Startup Indústria 4.0, desenvolvido pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, empresas nascentes recebem investimentos para criar soluções para as indústrias brasileiras. Também são promovidas mudanças culturais rumo à transformação digital

  5. Financiamento – descreve as linhas de crédito especiais, pensadas para a modernização das plantas produtivas, produção de máquinas ou sistemas. BNDES e FINEP são exemplos de programas e instituições participantes dessa iniciativa

  6. Mercado de trabalho – para suprir a necessidade por mão de obra qualificada, a agenda prevê a formação inicial de 1,5 mil professores de educação profissional e tecnológica em indústria 4.0, além da capacitação de 10 mil alunos da rede federal de educação profissional e tecnológica

  7. Comércio internacional – engloba a inclusão do tema indústria 4.0 em todos os acordos comerciais dos quais o Brasil faz parte e a redução ou dispensa de impostos para facilitar a entrada de novas tecnologias desse universo, como robôs industriais e impressoras 3D

  8. Revisão de normas – aprovação e atualização de normas nacionais para acelerar a robotização, modernização e digitalização do parque industrial, além de dispositivos que aumentem a segurança jurídica no mundo digital.

3. Como está a Indústria 4.0 hoje no Brasil?


Algumas empresas nacionais estão iniciando a jornada rumo à transformação digital, no entanto, o setor ainda engatinha quando comparado a países desenvolvidos. Dentre os principais esforços para agilizar as mudanças está a criação de um centro de estudos e pesquisa voltado para a indústria 4.0, com o propósito de preparar as empresas para as inovações necessárias.


Chamado de C4IR Brasil, é uma iniciativa público-privada lançada em dezembro de 2020. Participam World Economic Forum (WEF), governo federal e governo do Estado de São Paulo.


Seu objetivo principal é inserir o Brasil no contexto da Quarta Revolução Industrial a partir do desenvolvimento de políticas públicas e estruturas de governança de tecnologia.


Neste momento, algumas medidas da agenda brasileira para a indústria 4.0 seguem sendo implementadas, a exemplo da conexão entre startups e indústrias. Inclusive, esse trabalho conjunto tem auxiliado no combate à propagação do coronavírus.


Em Belo Horizonte/MG, a startup 3DLopes auxiliou o Hospital das Clínicas de BH, produzindo máscaras transparentes de proteção para as equipes de saúde em tempo recorde, graças a tecnologias como a impressão 3D.


Embora a gravidade das complicações dessa emergência de saúde pública tenha favorecido alguns progressos, há cinco desafios a serem superados pela indústria nacional:

  1. Segurança

  2. Falta de habilidade

  3. Tecnologias legadas

  4. Inteligência Artificial (IA)

  5. Conectividade.

4. Os principais números da Indústria 4.0 no Brasil


Os números relativos a esse assunto evidenciam a importância da indústria 4.0 para garantir a produtividade, competitividade e diminuir gastos do setor no Brasil. De acordo com levantamento da ABDI, uma vez que a nova forma de produzir esteja implementada, a estimativa é que haja redução nos custos industriais de, no mínimo, R$ 73 bilhões/ano.


Desse total, R$ 34 bilhões/ano viriam dos ganhos de eficiência, R$ 31 bilhões/ano da redução nos custos de manutenção de máquinas e R$ 7 bilhões/ano da redução no consumo de energia.


Essa economia e aumento na eficiência dos processos de produção têm o potencial de mudar o quadro do país no cenário internacional, melhorando nossa posição no ranking global de competitividade.


Divulgado em outubro de 2020, relatório do Fórum Econômico Mundial colocou o Brasil na 51ª posição, em um total de 141 países avaliados. Mais específico, o Índice Global de Competitividade da Manufatura mostrou que, entre 2010 e 2016, o país despencou da 5ª para a 29ª posição.


No mesmo período, a produtividade da indústria brasileira caiu mais de 7%, e sua participação passou a representar menos de 10% do Produto Interno Bruto (PIB), conforme levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI).


As Empresas na Revolução 4.0


1. Principais Mudanças nas Empresas


Aderindo à Quarta Revolução Industrial, as empresas terão processos mais ágeis, ambientes híbridos e maior espaço para profissionais qualificados. Os processos ágeis têm o potencial de enxugar custos e aumentar os lucros, permitindo que demandas emergenciais sejam atendidas – por exemplo, o pedido por máscaras para diminuir o contágio pelo coronavírus, que citamos acima.

Leia também: O que é RH Ágil

Ambientes híbridos pedem grande flexibilidade dos profissionais e líderes, que precisarão lidar e coordenar times formados por humanos e robôs. Enquanto as pessoas assumem tarefas que exigem criatividade, avaliação humanizada e ampla, as máquinas farão as atividades repetitivas, monótonas e que demandam grande esforço físico.


Para os gestores, faz sentido buscar a informação para compreender os conceitos, princípios e tecnologias da indústria 4.0. Assim, terão a possibilidade de mensurar de forma precisa todos os impactos e benefícios da implementação das novas tecnologias em suas empresas.


No caso do desafio da mão de obra qualificada, se não for possível encontrar o perfil de profissional desejado no mercado, a saída é investir na formação. Basta identificar, entre os recursos humanos da empresa, os colaboradores com maior disposição e potencial para aprender as aptidões necessárias.


Investir na formação de um especialista pode até ser mais vantajoso do que contratar alguém de fora, pois o profissional já conhece a cultura organizacional da empresa, e a tendência é que, para retribuir o investimento, seja leal a ela.


2. Como as Empresas podem se preparar melhor para a Indústria 4.0?


O primeiro passo é fazer um mapeamento das atividades da empresa, verificando quais podem ser automatizadas, quais necessitam ser modernizadas e o que tem impactado na eficiência dos processos.


Embora iniciar a trajetória para a transformação digital implique em investir um valor considerável para modernizar os equipamentos, esse investimento pode ser recuperado rapidamente se houver um planejamento organizado.


Portanto, assim que possível, monte seu plano e dê os primeiros passos. Você pode começar fornecendo capacitação para os funcionários, melhorando a gestão de dados e automatizando as tarefas operacionais.


Outra boa pedida é priorizar áreas em que se concentra a expertise da companhia e se manter conectado com fornecedores e parceiros que também apostam na indústria 4.0.

Afinal, eles podem ajudar a otimizar sua produção, oferecendo alternativas quanto a peças, metodologias e processos inovadores.



Conclusão


A indústria 4.0 pode até demorar para se difundir completamente no Brasil. Mas ela já está aí. É uma tendência global inevitável: as máquinas serão cada vez mais inteligentes e os processos de produção continuarão se alterando. Em vez de temer a tecnologia, é preciso se antecipar aos desafios que a nova realidade vai trazer e pensar em maneiras de potencializar seus impactos positivos.


 


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