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Habilidades do Futuro: Como se Preparar?

Já faz um tempo que somos bombardeados de notícias sobre como a tecnologia e a inteligência artificial irão roubar nossos trabalhos. Embora, historicamente isso tenha se mostrado diferente, a quantidade e empregos que foram criados com a tecnologia foi maior do que os extintos.


Mas a tecnologia é apenas uma parte da história, o mercado de trabalho está mudando também por outros motivos. Segundo uma pesquisa sobre o futuro do trabalho feita pela Person, as razões para isso também incluem fatores como: o aumento da urbanização e da globalização, mudanças climáticas, mudanças demográficas e instabilidade política.



Muitas profissões irão deixar sim de existir, principalmente as que envolvem trabalhos mais mecânicos e repetitivos, mas a maioria apenas passará por uma profunda transformação. Na verdade já estão passando. Se observarmos, a tecnologia tem se inserido e transformado a rotina de toda e qualquer área de trabalho, como os robôs-cirurgiões na medicina e os caixas de supermercados eletrônicos.


O Institute For The Future (IFTF) disse em 2018: “85% dos empregos que existirão em 2030 ainda não foram inventados”. A gente realmente não tem como prever o futuro, mas já acompanhamos as mudanças tecnológicas e acreditamos nas tendências desse novo mercado de trabalho.

Mas então, como se preparar?

Estar pronto para o futuro não significa somente adquirir conhecimento técnico, mas desenvolver habilidades que podem ser aplicadas à qualquer trabalho. Habilidades estas inerentes aos humanos, pois são elas que nos diferenciarão das máquinas.


Nesse sentido, a educação precisa se modificar completamente para não ficar ainda mais obsoleta. Não fará mais sentido o conhecimento em caixinhas. A missão será desenvolver o campo pessoal da aprendizagem ativa, onde o "aprender a aprender” será indispensável para toda profissional.


A National Research Council, uma organização norte-americana que faz pesquisas sobre temas importantes da sociedade para ajudar governos a desenharem políticas públicas, reuniu especialistas para definir quais são essas competências. O resultado dessas pesquisas, publicado no fim de julho no livro digital: Educação para a Vida e para o Trabalho: Desenvolvendo Transferência de Conhecimento e Habilidades do Século 21, tenta dar nomes aos bois e ajudar professores e gestores públicos a prepararem os estudantes para o século 21.

Após um ano de pesquisa, um comitê formado por educadores, psicólogos e economistas definiu o que seriam as habilidades do século XXI. Inspirados nesta pesquisa, separamos algumas das principais habilidades e indicamos caminhos para desenvolvê-las.


Habilidades Fundamentais


Criatividade


Pessoas criativas conseguem visualizar formas de pensar e agir que sejam mais ricas em detalhes, visionárias e interessantes. A criatividade, quando aplicada ao ambiente de trabalho, é uma verdadeira força que pode ser usada para gerar inovação e resolver problemas. É por isso que cada vez mais essa habilidade é requisitada no mercado.

Considerando esse conceito, você se acha uma pessoa criativa? Se disse não, uma correção: não existe gente sem criatividade. Na verdade, há pessoas pouco estimuladas. Assim como uma árvore frutífera, a criatividade, se não regada, para de florescer e de dar bons frutos. Regar as ideias significa dar estímulos.


Estamos falando de um exercício contínuo, que é provocar sua mente a se expandir incessantemente. Sendo assim, aqui vai uma lista que ajudará você a estimular sua criatividade e contribuir para o bom funcionamento do cérebro. São maneiras simples e ao alcance de qualquer pessoa. Veja só:


  • Busque experiências diferentes e inovadoras

  • Não economize na leitura, principalmente as ficcionais

  • Ouça música

  • Evite o consumo excessivo de café e energéticos

  • Trace rotas alternativas para chegar ao trabalho e em casa

  • Busque conhecer o processo de fabricação de algo que você gosta

  • Tenha uma boa alimentação

  • Invista em jogos lúdicos, seja de tabuleiro ou vídeo game eletrônico

  • Tome nota dos seus insights

  • Cerque-se de pessoas criativas

  • Sempre pergunte POR QUE diante de uma situação

  • Matricule-se em um curso diferente

  • Assista filmes e seriados distópicos

  • Peça feedbacks

  • Viaje e conheça outras culturas

  • Procure dormir bem


Existem também o que chamamos de “Creativity Serial Killers” ou seja, frases e atitudes que matam a criatividade e devem ser evitados, principalmente no ambiente de trabalho:


  • Já tentamos isso antes

  • Não é minha responsabilidade

  • Não temos tempo

  • Essa mudança é muito radical

  • A equipe nunca vai topar

  • Não é problema nosso

  • Não gosto desta ideia

  • Vamos voltar para a realidade

  • Dá muito trabalho mudar

  • É impossível

  • Sempre fizemos assim

  • Todos vão rir da gente

  • Pare de sonhar


Empatia


Como vimos aqui, o que nos diferenciará no futuro são nossas habilidades humanas. E, dentre essas habilidades, está o relacionamento com o outro, principalmente em um mundo cada vez mais polarizado.


Não importa o objetivo: gerenciar pessoas, criar produtos e serviços para elas, ter melhores relacionamentos ou causar impacto social, o fato é que precisamos entender verdadeiramente o outro e criar conexões. É aí que entra a empatia: uma palavra que cada vez mais esbarramos por aí, mas ainda cercada de mistério. Afinal, o que é empatia?


Poderíamos definir empatia como a habilidade de compreender o outro, colocar-se no lugar do outro, viver na pele do outro. À primeira vista pode parecer fácil, mas considerando que temos o comportamento natural de julgar tudo a nossa volta, esse julgamento pode nos levar a criar estereótipos e preconceito, nos impedindo de criar relações de qualidade e tornando o exercício da empatia um desafio dos mais árduos.

Mas como criar conexão com as pessoas? Logo abaixo você confere algumas dicas que podem ajudar você a colocar a empatia no seu dia-a-dia:


  • Liberte-se de julgamentos: como dito, cada pessoa tem sua história e muito das suas ações são pautadas pelas experiências anteriores que construíram sua forma de ser e agir.

  • Observe as pessoas e suas emoções: um bom observador e ouvinte consegue, com o tempo, ler rapidamente o que a outra pessoa transmite, especialmente por meio de linguagens não verbais.

  • Crie a atmosfera adequada que chamamos de espaço empático: interaja de forma a deixar a outra pessoa confortável em se expressar. Reagir também com emoções, de maneira positiva e sem julgamentos, abre um canal incrível de comunicação e mostra seu verdadeiro interesse pelo outro.

  • O que você sente: inicie a conversa perguntando o que a pessoa sente e não porque ela agiu de determinada forma. Essa abordagem permite gerar reflexão sobre o assunto e entender o contexto.

  • Por que, por que, por que: questionar os motivos ajuda a explorar e a chegar à real raiz do problema, entendendo o porquê as pessoas agem de determinada forma. A partir de cada resposta, escute e construa a próxima pergunta com base do que você ouviu, assim você evita ser inquisitivo.

  • Por último, mais do que maturidade emocional, colocar-se no lugar do outro representa um hábito mental. Então, sempre que puder, pratique empatia!


Comunicação


Muitas das habilidades levantadas estão ligadas às habilidades interpessoais, ou seja, Inteligência Social para estabelecer relações de colaboração. Por isso, a capacidade de comunicar-se bem, tanto oralmente quanto na escrita é essencial. Veja abaixo algumas das 24 técnicas contidas no livro “Aprenda a se comunicar com habilidade e clareza” de Lani Arredondo, publicado pela Você S/A:


  • Exercite a escuta ativa: para estabelecer um diálogo eficaz, ouça na essência e tenha foco. Preste também atenção na linguagem não-verbal do interlocutor. Trabalhe para compreender de forma eficaz aquilo que a pessoa está dizendo e transmitindo

  • Entenda a percepção dos outros: para se comunicar, devemos levar em consideração como as outras pessoas recebem nossas mensagens.

  • Escolha as palavras com cuidado: o segredo não está no que se vai dizer, mas como se vai dizer, transmitindo uma mensagem direta, com clareza e cortesia.

  • Controle sua voz: para cada situação, devemos modular nossa voz para que a comunicação seja mais eficiente. Use um tom moderado e altere a velocidade e o volume e de forma apropriada, adaptando-o às situações.

  • Dê instruções precisas: se você está em uma posição de liderança, quando um colaborador não conseguir cumprir uma orientação da maneira esperada, antes de criticar ou punir, verifique se sua orientação foi precisa e clara.

  • Um bom hábito é sempre parafrasear e resumir para checar o entendimento do que foi dito.

  • Corrija e elogie: um bom líder proporciona feedback – corretivo e positivo. Quando o feedback for corretivo, foque apenas no comportamento ou ato que levou a essa correção, jamais foque na pessoa.


Pensamento Crítico


O pensamento crítico nada mais é do que a capacidade de analisar um problema de forma distante e racional. Isso só é possível quando você deixa de lado as suas crenças e o seu modo de pensar. Ele também é muito útil para distinguir a informação que é confiável, habilidade fundamental em um mundo onde a informação é tão abundante.


Praticar esse pensamento é um exercício que deve ser realizado constantemente e, para isso, separamos algumas dicas ou sugestões a seguir:


Como desenvolver o pensamento crítico?


  1. FAÇA PERGUNTAS - É preciso ser curioso e ter a mente aberta para diferentes pontos de vista. Não avance e não se precipite na direção de soluções rápidas antes de analisar o problema. Seja observador, ouça e escute cuidadosamente. Pergunte “por que”. Deixe a aceitação de lado e invista na curiosidade.

  2. QUESTIONE SEUS PRÓPRIOS PRECONCEITOS - Assim como vimos no capítulo da empatia, é importante lembrar que todos temos tendências a pensar de certa forma, devido a uma série de fatores. Pensar criticamente significa confrontar esses preconceitos com a maior frequência possível. Para praticar isso, é preciso criar o hábito de pensar sob diferentes pontos de vista ao longo do dia.

  3. VISÃO DO TODO - O pensamento crítico tem muito a ver com o pensamento sistêmico, que nada mais é do que entender o cenário completo de um problema. Para isso, cria-se uma espécie de mapa, onde estejam presentes todos os atores, suas variáveis e as relações entre eles.

  4. DESENVOLVA O RACIOCÍNIO LÓGICO - O raciocínio lógico é utilizado sempre que for preciso resolver um problema de forma sequencial ou construir uma argumentação. E o bom é que ele pode ser estimulado por meio de atividades e exercícios que desafiam a mente. Por exemplo, faça Sudoku, palavras cruzadas e desafios que envolvam o raciocínio.


Inteligência Emocional


Uma das habilidades mais requisitadas do presente e do futuro é a inteligência emocional. Diante de um mundo onde tudo muda cada vez mais rápido, onde crises econômicas e crises de valores que assolam a sociedade, um profissional capaz de manter-se emocionalmente forte, constante e focado é sem dúvidas, o que as empresas mais desejam.


Separamos dicas do TED da psicanalista Amy Morin, chamado “Como manter-se emocionalmente forte”. Segundo Amy, nós cultivamos três tipos de crenças destrutivas que devem ser eliminadas:


  1. Ter opiniões pouco saudáveis sobre nós mesmos. É quando estamos em um momento ruim e exageramos na automisericórdia. Pensamentos do tipo: “por que essas coisas sempre acontecem comigo”, ou “eu não devia lidar com isso” nos deixam presos e focados no problema, impedindo-nos de encontrar a solução. O que Amy nos diz é que, mesmo quando não podemos criar uma solução, é sempre possível fazer algo para tornar sua vida ou a vida de alguém melhor. E não podemos fazer isso quando estamos focados em nossos problemas

  2. Ter opiniões poucos saudáveis acerca dos outros: Quando você dá poder ao outro, desiste do seu. Isso acontece em situações em que dizemos “ fulano me fez trabalhar até tarde” ou “fulano me deixa louco”. Por mais que você não tenha controle sobre um fato que uma pessoa faz ou diz, é você quem decide como irá responder.

  3. Convicções poucos saudáveis sobre o mundo: São aquelas crenças em que tendemos a achar que o mundo nos deve algo: “se eu colocar muito esforço nisso, terei sucesso” ou “se fizermos coisas bem ou aguentarmos sofrimento, seremos recompensados.” Mas esperar um retorno do mundo, equivalente ao que você considera justo pelo seu esforço, só pode levar a decepção.


As más crenças acontecem por conta dos sentimentos: nos sentimos magoados, tristes, bravos, amedrontados. Esses sentimentos são horríveis e tentamos evitá-los com autopiedade. O único jeito de se livrar desses pensamentos é lidando com essas emoções:


  • Nos permitindo ficar tristes e depois seguir em frente.

  • Confiar na nossa habilidade de lidar com este desconforto.

  • Não nos compararmos com outras pessoas, só nos comparar com quem fomos ontem.

E não esperar que o mundo seja sempre justo. Aceitar que a vida não é justa pode ser libertador. “Tudo passa. Nós fazemos nosso mundo. É preciso acreditar que você pode mudar. Identificar o mal hábito é dar um pequeno passo”, diz Amy.


Aprender a aprender


Uma das habilidades necessárias, quando falamos em educação no século XXI, é a de aprender a aprender. Ou seja, de maneira autônoma, é preciso saber não só o que, mas também como estudar. Para isso, é preciso ter disciplina, foco, precisão. Neste processo de autoaprendizagem, o aprendiz estabelece seu próprio tempo para alcançar seu objetivo de estudo. Algumas dicas:


  1. O primeiro passo é identificar o que você precisa aprender para usar na sua vida e inserir esse novo aprendizado no seu dia a dia. Lembre-se que você será responsável pela continuidade e intensidade das suas aulas.

  2. Outra forma de ajudar no seu aprendizado é buscar ferramentas que auxiliem os seus estudos. Pode ser um app, vídeos do Youtube, um curso livre ou um curso online.

  3. A organização é a chave de tudo. Antes de mais nada, crie um cronograma com as suas aulas. Ele deve incluir os dias e horários em que você vai estudar, horas dedicadas, matérias abordadas e até mesmo quantidade de exercícios feitos. Além de ajudar a manter certa frequência, isso ajuda você a não repetir aulas e sempre estudar algo novo.


Multidisciplinaridade

Foi-se o tempo em que as pessoas mais valorizadas eram aquelas que sabiam só uma coisa e eram especialistas nisso. Ter uma especialidade é importante, mas além disso, é mais significativo ainda também ser um profissional multidisciplinar.

O conceito T-Shaped é um modelo corporativo que busca por pessoas capazes de atender à demanda da empresa de maneira criativa, envolvendo diversas visões disciplinares. Pode-se observar o crescimento do perfil T desde a escola: as atividades interdisciplinares, que antes eram eventos excepcionais, têm se tornado muito comuns no currículo das crianças e jovens.


Pense na forma da letra T: ela tem um tronco vertical e uma parte horizontal. Agora pense numa empresa: se as pessoas tivessem um perfil T, ao estarem lado a lado, elas conseguiriam fazer com que a parte horizontal conversasse uma com a outra.

Para o modelo T-Shaped, a parte vertical é aquilo que você sabe bem, aquilo no que você é especialista. A parte horizontal são todos aqueles temas que você conhece e sabe falar a respeito, as experiências pelas quais você passou e fez com que você adquirisse conhecimento. São as suas habilidades generalistas. Observe:

Se você é apenas especialista, pode encontrar dificuldade em agregar valor à equipe na hora do projeto. Se você é generalista, pode saber sobre muita coisa, mas não é capaz de acrescentar um diferencial de valor ao negócio. É preciso unir essas duas capacidades e transformá-las no perfil T.

Uma pessoa recebe todos os dias uma porção de novas informações e passa por diversas situações diferentes. O profissional T-Shaped é aquele que é capaz de consumir tudo isso, aprimorando e traduzindo para o seu perfil. Eles geram sentido para aquilo e transformam em habilidades gerais.


Liderança

O estilo de liderança do futuro é sobre empoderar pessoas e humanizar organizações (empatia está no cerne do pensamento). A ideia é basicamente a seguinte: o melhor modelo de gestão de liderança para navegar na complexidade dos dias atuais deve se inspirar em uma banda de jazz, pois ela reúne elementos fundamentais que o gestor deve prestar atenção: alternância de liderança, interdependência e complementariedade.


Todos os instrumentos têm sua vez de solar e, enquanto um deles sola, os outros fazem a base para que ele possa ter o melhor resultado. E para os momentos de crise, a capacidade de improvisar e construir colaborativamente para entregarem juntos uma verdadeira obra de arte.

A apresentação destaca ainda conceitos de liderança aplicados por Peter Drucker, Winston Churchill e Steve Jobs. A característica de liderança de Drucker que vale a pena ser destacada é a sua visão estratégica, capaz de abrir caminhos na diversidade criada pela economia do conhecimento. De Churchill, a resiliência, a perseverança e a necessidade de unificar em torno de um propósito para se alcançar o objetivo. E de Jobs, a integração de talentos para produzir inovação, sem se deixar “amarrar” pela tecnologia, mas fazendo uso dela.

 

A RHEIS Consulting atua no campo das dimensões humanas nas organizações promovendo desenvolvimento pessoal com tecnologia; consulte-nos.

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