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Do Mundo VUCA ao BANI: Compreendendo as Novas Dinâmicas de Incerteza e Complexidade

Atualizado: 8 de jul.

O conceito de mundo VUCA surgiu em meados dos anos 1990 para explicar uma nova dinâmica global. Em um cenário pós-Guerra Fria, predominavam a instabilidade, a insegurança mundial, as transformações rápidas e a crescente influência da tecnologia.


A tecnologia funcionava como uma força vital para a construção de novos modelos de negócios, ampliando oportunidades de sucesso para empresas e profissionais de maneira inédita. No entanto, com a ampla digitalização dos últimos anos, esse conceito começou a se tornar insuficiente para explicar a realidade atual. Ainda mais com a pandemia, analisar o mundo apenas pelas lentes do VUCA perdeu parte de sua relevância.


Os avanços digitais acelerados durante esse período transformaram profundamente a forma como os negócios são conduzidos, comprometendo o sentido original que o VUCA atribuía ao cenário mundial.



O Conceito BANI

O conceito BANI foi desenvolvido pelo antropólogo, autor e futurista norte-americano Jamais Cascio, que observou que o modelo VUCA estava obsoleto e não funcionava mais em um mundo marcado pela pandemia. O novo acrônimo traz a chave para que empresas possam prosperar e promover disrupções sob a nova ótica que surgiu a partir de 2020.


Criado em 2018, antes da pandemia de COVID-19, o acrônimo BANI — do inglês Brittle, Anxious, Nonlinear e Incomprehensible — ganhou ainda mais relevância com a aceleração da transformação digital durante o período pandêmico. Em português, significa Frágil, Ansioso, Não linear e Incompreensível.


O conceito BANI surge como uma evolução do VUCA, marcando a passagem de volatilidade para fragilidade, de incerteza para ansiedade, de complexidade para não linearidade, e de ambiguidade para incompreensão.


Desde então, esse conceito passou a ser amplamente utilizado para descrever o panorama pós-pandemia, caracterizado por desafios e incertezas ainda mais complexas e dinâmicas.


1. Brittle (Frágil)


O mundo é frágil. Um vírus pode colocar o planeta inteiro em quarentena, uma falha em um sistema pode fechar uma loja, um passo em falso de um executivo pode derrubar uma empresa na bolsa, uma praga pode destruir uma plantação, uma falha em uma estação elétrica pode deixar um estado sem energia, e uma nova tecnologia pode provocar a demissão de milhões de pessoas.


O que temos como certo hoje pode se tornar uma incerteza amanhã. A economia pode mudar, o mercado pode evoluir e até pandemias podem ocorrer. Por isso, é fundamental ter sempre uma carta na manga — uma saída preparada para situações urgentes. Precisamos estar prontos para o imprevisível, buscando sempre estar um passo à frente.


2. Anxious (Ansiedade)


A incerteza gera ansiedade. O senso de urgência passa a pautar muitas decisões. Uma oportunidade pode surgir em uma janela de tempo curta e precisa ser aproveitada rapidamente. Trabalharemos com margens de erro maiores, mas com atitudes mais ágeis, capturando oportunidades no momento certo.


Diante de tantas tragédias, acompanhar as notícias pode se tornar angustiante. Muitos acabam se isolando — seja evitando informações ou vivendo em bolhas onde se cria a falsa sensação de controle sobre os acontecimentos.


3. Nonlinear (Não linearidade)


Grandes planejamentos podem perder a eficácia no mundo BANI. Tudo está em constante transformação, e é preciso adaptar negócios e estratégias para essa realidade. Múltiplas ações ocorrem simultaneamente, configurando um ambiente não linear, onde o controle é limitado. É difícil identificar conexões entre eventos diferentes ou perceber que outros projetos e processos acontecem paralelamente.


4. Incomprehensible (Incompreensível)


Buscamos respostas baseados na enorme quantidade de informações disponíveis. No entanto, montar uma estratégia exclusivamente com base em dados pode ser insuficiente, pois o comportamento humano é mutável e imprevisível. O risco acompanha cada decisão.


Com tantas mudanças e acontecimentos, é fácil perder a conexão com a realidade. E não são apenas as notícias que dificultam essa compreensão. O avanço tecnológico foi tão profundo em diversas áreas que muitas vezes não conseguimos entender como as coisas realmente funcionam.


Conclusão

O conceito BANI surge como um paralelo intencional ao modelo VUCA, oferecendo uma estrutura mais adequada para articular as situações cada vez mais frequentes em que a simples volatilidade ou complexidade não são suficientes para explicar a realidade, conforme destaca o próprio criador da terminologia, Jamais Cascio.

Cascio reforça que vivemos em um cenário no qual as condições não são apenas instáveis, mas caóticas; onde os resultados não são apenas difíceis de prever, mas completamente imprevisíveis. Em suas palavras, não estamos diante de situações meramente ambíguas, mas sim incompreensíveis.


Reconhecer essa transição do mundo VUCA para o BANI nos permite reagir de forma mais assertiva diante dos desafios atuais. Soft skills ganham ainda mais relevância, e o uso das próprias ferramentas tecnológicas — muitas vezes incompreensíveis — torna-se essencial para coletar e organizar dados que ampliem nossa compreensão.


Assim como não se vence uma espada com um cajado, as inovações tecnológicas exigem que usemos as mesmas inovações para navegar pela nova sociedade moldada por esses avanços. Para lidar com a fragilidade, precisamos desenvolver resiliência e capacitação; para enfrentar a ansiedade, a empatia e o cuidado com a saúde mental são fundamentais. Num mundo não linear, a atenção ao contexto e a adaptabilidade são essenciais, enquanto que, diante do incompreensível, a transparência e a intuição se tornam ferramentas indispensáveis.


Com essa compreensão, estamos mais preparados para prosperar e inovar em um mundo que, apesar de desafiador, também está repleto de oportunidades.



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