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O que é a Nova Economia

Nova economia é uma expressão que define uma diferente lógica de mercado, que deixa de se concentrar em produtos para priorizar serviços. Tem como marca uma cultura centrada em pessoas, junto a impactos expressivos da tecnologia, mudanças velozes e colaboração.


Na nova economia os modelos de negócio assumem maior flexibilidade para personalizar soluções conforme as preferências do usuário.


Estamos vivenciando essa era desde o final dos anos 1990, mas, hoje, alguns conceitos disruptivos estão em alta. Um deles é o da indústria 4.0, que se vale de automação e máquinas cada vez mais inteligentes para elevar a eficiência dos produtos e serviços, possibilitando até mesmo a customização a partir de baixo investimento.


Nessa lógica, os humanos se dedicam à promoção de bem-estar e encantamento do cliente, deixando tarefas monótonas, operacionais e repetitivas para os robôs. Assim, através da transformação digital, as empresas têm acesso a quantidades maciças de dados (big data), aprofundando seu conhecimento sobre o consumidor para identificar suas necessidades e desejos.


Outro aspecto que se insere na ideia da nova economia é o desenvolvimento sustentável, que descreve evoluções econômicas em harmonia com avanços sociais e preservação ambiental.


Alcançar a sustentabilidade se torna um objetivo para qualquer organização que queira ter perenidade, afinal, isso depende de uma gestão inteligente dos recursos naturais e humanos.


Quando falamos dessas transformações, falamos de impactos massivos. Aqui vão alguns exemplos ligados à Nova Economia para ilustrar:

  • É esperado que um quarto dos shoppings nos EUA fechem nos próximos cinco anos – uma tendência que se firmava mesmo antes da Covid-19. Em contrapartida, o comércio eletrônico por lá cresceu 44% só em 2020 e já representa 21% do total das vendas no varejo;

  • Mesmo sentindo os efeitos da pandemia no turismo, o Airbnb vale mais do que as três maiores redes de hotéis juntas;

  • Há apenas sete anos no Brasil, a Uber já conta com 1 milhão de motoristas no país. Isso equivale à população inteira de Maceió (AL). Em outras palavras (ou números), a 1% da população economicamente ativa do nosso país.

Percebeu que todas essas mudanças são relativamente recentes? Isso significa que na Nova Economia, a única certeza que se tem é a da mudança.


O Surgimento Da Nova Economia


O conceito da nova economia foi registrado pela primeira vez no ano de 1983, na revista americana “Time”. O jornalista Charles P. Alexander afirmou, no artigo “The New Economy, que a nova economia é definida por mudanças rápidas e contrastes acentuados.


Alexander afirmava, ainda, que enquanto as grandes indústrias tradicionais estão sofrendo com a concorrência estrangeira, as novas empresas de tecnologia, também chamadas de startups, irão liderar o mundo no que diz respeito à inovação.


Outro registros pioneiros também foi identificado no artigo “The Triumph of the New Economy – A powerful payoff from globalization and the Info Revolution, escrito por Michael J. Mandel e publicado na revista BusinessWeek.


Era 1996 quando Mandel abordou o movimento do mercado mundial, que deixava de ser industrial para priorizar os serviços. Fenômenos como a globalização, popularização da internet comercial e da informação levaram os primeiros analistas que se debruçaram sobre esse conceito a fazer previsões bastante otimistas, como o crescimento contínuo dos negócios e empregos.


Alguns chegaram a acreditar que a nova era estaria acima da lógica cíclica da economia, que intercala picos a depressões ou crises. Essas previsões foram desacreditadas a partir dos anos 2000, quando a bolha especulativa das “ponto com” (companhias baseadas na internet) explodiu, levando o mercado dos Estados Unidos a uma recessão.

Contudo, as bases da nova economia já haviam sido colocadas, impulsionando formatos inovadores de empreendedorismo e negócios disruptivos, como as startups.


Desde então, a economia foi se moldando às transformações advindas de tecnologias emergentes e à valorização do indivíduo, que detém o capital humano que agrega diferenciais às empresas.


Enquanto os funcionários são priorizados dentro das organizações, os consumidores são valorizados fora dos muros, solidificando áreas como a experiência do usuário - User Experience (UX).


Assim, tanto empregados como clientes passam a ser colaboradores na construção de soluções para problemas simples e complexos.


Os 7 Princípios Da Nova Economia


A nova economia tem como premissa a superação de valores enraizados nas organizações do século passado, quando a concorrência era menor e dominada pelo mainstream.


Em geral, era o público que precisava se adequar para estar na moda, ter o carro do ano ou frequentar locais badalados.


Mas a internet mudou a dinâmica. Primeiro, porque possibilitou a inserção de uma série de empresas menores no mercado, competindo com grandes redes em condições semelhantes – através de sites e mídia online.


Assim, caso se depare com qualquer problema, o usuário pode trocar de site com, literalmente, um clique. Vamos aprofundar essas mudanças nos próximos tópicos.

Por enquanto, cabe mencionar as transformações nos hábitos de compra, que impulsionaram um jeito diferente de pensar e gerir os negócios.


A seguir, reunimos 7 princípios desta nova economia:


1. Propósito


Lucro e dinheiro já não são os únicos indicadores do sucesso, seja para carreiras ou organizações. Para ser bem-sucedido, é preciso descobrir um propósito que motive a construção de uma carreira ou de um negócio, uma causa maior para que eles existam.

Caso contrário, as chances de estabelecer um relacionamento de qualidade com o cliente despencam, uma vez que ele também reconhece a sua missão.


Cada vez mais, o público decide consumir de forma consciente, contratando serviços e adquirindo produtos de marcas alinhadas aos seus valores pessoais.


2. O Cliente é o Centro


As companhias que se darão melhor nesse tempo são aquelas que investem não apenas em um atendimento satisfatório, e, sim, no encantamento do cliente.


O exemplo mais emblemático dessa cultura é a Disney que, ao vislumbrar o desejo de experiências marcantes e “mágicas”, criou parques temáticos que superam as expectativas dos visitantes.


Desse modo, a empresa consegue estabelecer conexões emocionais que se traduzem na fidelização do consumidor e no crescimento dos serviços à medida que novos desejos são identificados.


3. É Possível Criar uma Demanda


Na velha economia, o mercado girava por meio da percepção de uma necessidade que era, então, atendida. Na nova economia, a máxima de partir de um problema para desenvolver um produto ou serviço segue válida, entretanto, existe a criação de demandas.


O smartphone é a história mais conhecida dentro desse raciocínio, afinal, ninguém tinha a necessidade de responder e-mails ou acessar as redes sociais através do celular.


Porém, uma vez que os smartphones foram adquiridos pelos primeiros consumidores, a novidade atraiu mais pessoas, construindo demandas baseadas no desejo de tornar ações e serviços mais ágeis.


4. Falhas e Flexibilidade


As transformações em alta velocidade são uma constante na era digital, portanto, a flexibilidade ganha relevância. Esse atributo permite adaptações rápidas para que as organizações aproveitem oportunidades e, se necessário, corrijam os rumos por meio de mecanismos como a pivotagem.


Com origem no ecossistema de startups, a pivotagem se refere a grandes mudanças, momentos em que é preciso alterar a solução oferecida ao público, ou mesmo ajustar o target para que o negócio sobreviva.


Essa lógica considera a possibilidade de falhas, que são comuns nos processos de inovação e não devem ser temidas, principalmente para quem se aventura a empreender.


Depois de errar, verifique o que não saiu conforme o esperado, ajuste as metas e siga em frente.


5. Ambiente de Incertezas


A nova economia entende que uma solução nunca está totalmente pronta, pois sempre há o que melhorar. Portanto, o cenário é de incertezas para companhias de todos os setores e portes, que precisam monitorar o consumidor continuamente para acompanhar suas preferências.

Leia também: O que é o mundo VUCA.

Existem algumas estratégias para diminuir a incerteza, prever comportamentos e evitar rombos no orçamento da empresa.


Uma delas é o Produto Mínimo Viável (MVP ou Minimum Viable Product), que constrói uma versão simplificada que será testada e aprimorada a partir de feedbacks dos clientes em potencial.


6. Oportunidade na Crise


Parece clichê, mas essa frase encontra respaldo nas mudanças de comportamento que as crises provocam. Em época de calmaria e prosperidade, dificilmente há inovações ou descobertas significativas. Já em meio ao caos, emergem oportunidades não exploradas.


Durante a pandemia de coronavírus e as consequentes medidas de isolamento social, por exemplo, o e-commerce tomou fôlego e surgiram (ou ressurgiram) opções de entretenimento dentro do carro, por meio de drive-ins.


7. Inovar para Continuar


Uma realidade do contexto atual é que, para se manterem competitivas, as empresas precisam se reinventar após períodos curtos, de apenas alguns anos. Isso porque as transformações são frequentes e rápidas, o que pede inovação – e pivotagem – para que as companhias se mantenham relevantes e atraentes ao consumidor.

Leia também: Gestão da Inovação

Lembrando que inovar nem sempre significa inventar algo do zero. Na maioria das vezes, se parece mais com uma adequação a um contexto ou detalhe que não havia sido notado.


O Conceito de Negócio da Nova Economia


Na nova economia, a fragmentação e a personalização são a regra, o que leva a uma revolução nos modelos de negócio. Flexibilidade, eliminação de desperdício, ambientes horizontais e transparência entram na ordem do dia, formando empresas que destoam dos modelos tradicionais.


O atendimento a nichos específicos e a valorização do bem-estar pessoal, tanto dos funcionários quanto dos clientes, também são tendências para as empresas.


Os novos modelos de negócios podem ser classificados em 4 grupos:


1. Criativos


Parte de uma reconstrução ou renovação do pensamento, ou seja, de uma disrupção. Modelos criativos atendem aos anseios dos donos por equilíbrio e propósito, produzindo bens intangíveis por meio do conhecimento, áreas e atividades de que os empreendedores gostam.


2. Escaláveis


Como o nome sugere, são negócios capazes de ganhar escala rapidamente. São aqueles que dispõem de uma solução que pode ser replicada várias vezes, sem que se precise aumentar o investimento em estrutura, capital e mão de obra. Um exemplo são os serviços de streaming, como a Netflix, que entregam o serviço para uma grande quantidade de clientes, usando uma mesma estrutura.


3. Sociais


Também chamados negócios de impacto, têm como objetivo central promover melhorias em comunidades. Não quer dizer que essas empresas são deficitárias, contudo, o lucro não é sua razão de existir.


Essas iniciativas costumam se desenvolver em segmentos como educação, moradia, saúde e capacitação profissional, capazes de impulsionar mudanças sociais profundas.


4. Inovadores Corporativos


São colaboradores que praticam o empreendedorismo interno, testando novas ideias com o dinheiro da corporação onde atuam. Muitas empresas buscam esse perfil, dada a sua importância para que a companhia siga repensando e aprimorando soluções para manter o cliente satisfeito e, se possível, leal à marca.


Quais são as principais características da Nova Economia?


O professor Peter Liesch, especialista em negócios internacionais da Escola de Negócios da Universidade de Queensland, diz que as empresas precisam entender as implicações da Nova Economia para suas próprias operações.


Neste sentido, ele destaca as sete principais características da Nova Economia.


1. Mais opções de produção


Não importa quais sejam os processos de produção, as chances são de que as mesmas capacidades existam em outros lugares. Por isso, informe-se onde tais serviços estão localizados. Quão acessíveis são eles? Você poderia terceirizar a produção e remodelar seu negócio?


Lembre-se de que muitas vezes existe uma compensação entre o desejo de controlar a produção e os interesses da eficiência. No entanto, a terceirização não é a única opção – existem formas alternativas de envolvimento econômico internacional e mais outras ainda serão criadas.


2. A chance de criar novos mercados


A nova economia mundial oferece muitas oportunidades para mentes inteligentes. Nem sempre é a falta de capital que impede as pessoas de concretizar as ideias. Os empreendedores têm o poder de criar novos mercados e, muitas vezes, isso requer pouco investimento.


3. As pequenas empresas podem pensar grande


O sucesso internacional não se limita mais aos grandes negócios.

“As pequenas empresas podem ser tão internacionais quanto as grandes”, diz o professor Liesch. “Embora ainda tenhamos empresas multinacionais, haverá cada vez mais oportunidades para pequenas e médias empresas – o que é uma boa notícia para as economias locais, pois elas empregam mais pessoas”.

4. Um campo de jogo mais equitativo


A qualidade democrática da nova economia mundial assegura que as oportunidades não se limitem às áreas da ciência e tecnologia.

“Embora haja potencial para desenvolver coisas, também significa fazer melhor uso das coisas, fazer as coisas de uma maneira diferente que pode dar às empresas uma vantagem competitiva”, explica o professor Liesch. “Da mesma forma, as economias desenvolvidas não são mais o bastião de todas as coisas inovadoras – ideias brilhantes podem vir de qualquer lugar do mundo.”

5. Networking é importante


As redes de contato ajudam as empresas a conhecer o mercado e a ser conhecidas. Elas devem ter um bom entendimento de suas próprias redes e de redes periféricas, por causa das interconexões além de suas redes imediatas.


6. A cultura não é uma restrição


“As empresas não precisam falar a mesma língua e fazer negócios da mesma maneira”, diz o professor Liesch. “Embora as diferenças culturais sejam mais uma barreira para as empresas de consumo do que para os setores de negócios para empresas, qualquer empresa pode superá-las. Os gerentes não devem ser culturalmente cegos – mas, da mesma forma, eles não devem ser culturalmente limitados”.


7. Regionalização, não globalização


Falar de globalização pode ser enganoso, já que as conexões entre empresas geralmente ocorrem em nível regional, e não global. Por exemplo, empresas da União Europeia (UE) que fazem negócios na UE ou empresas norte-americanas que fazem negócios no Acordo de livre-comércio da América do Norte (NAFTA).


A pesquisa sobre o comportamento e os padrões de comércio das empresas Fortune 500 revela a regionalização na maioria dos setores da indústria.

Essas conexões surgem por razões comerciais – acordos de livre comércio podem ser implementados posteriormente, mas somente depois que as conexões iniciais tiverem sido feitas pelas empresas.


O professor Liesch acrescenta:

“a internacionalização da produção está redefinindo a economia mundial e apresentando novas possibilidades às empresas. Neste novo mundo, as empresas competirão em condições de igualdade. As empresas inteligentes usarão suas ideias para obter vantagem competitiva e as limitações tradicionais, como tamanho ou setor, não as impedirão. O mercado mundial para transações de mercado é uma característica definidora de nossa economia mundial moderna. ”

Nova Economia e Mudança no Comportamento do Consumidor


Mais acima, falamos um pouco sobre esse assunto, contando sobre as transformações nas atitudes do cliente. Podemos dizer que três variáveis favoreceram as mudanças: a tecnologia, o conhecimento e o empoderamento do usuário.


A tecnologia, como vimos, tem sua maior representação na internet, ampliada pelas possibilidades da Quarta Revolução Industrial. Análise de dados, inteligência artificial e internet das coisas (IoT) são algumas das tecnologias que têm desencadeado avanços consideráveis e enriquecido as soluções disponíveis no mercado.


Todo esse progresso apresentou um mar de oportunidades para o consumidor, que pode escolher a mais adequada a seus interesses, momento de vida e orçamento. O conhecimento é a moeda da era digital e, consequentemente, da nova economia. Nos dias de hoje, boa parte dele está disponível para aqueles que se dispõem a pesquisar e aprender sobre novos temas, a custos baixos ou até gratuitamente.


Essa lógica de compartilhamento sobre assuntos empresariais não existia antes da rede mundial de computadores, sendo a responsável pelo empoderamento do usuário.


Pela primeira vez, ele sabe que o poder de decisão está em suas mãos e pretende fazer uso desse poder, embasando suas escolhas em informações, recomendações confiáveis e indicações de conhecidos. Se não ficar satisfeito com um produto ou serviço, pode simplesmente trocar de fornecedor.


Nesse contexto, só faz sentido ser fiel às empresas que tenham valores em comum com os seus próprios, o que destaca a conscientização na jornada de compra. Pessoas interessadas na preservação do meio ambiente, por exemplo, buscam por companhias que tenham esse compromisso, incentivando a reposição de recursos naturais e a economia circular (que estende a vida útil dos insumos até que não sejam mais reaproveitáveis).


Quem levanta a bandeira contra a discriminação evita consumir de organizações que tratem seus funcionários e clientes de modo desigual.


Empresas tradicionais que se reinventam através da Tecnologia


Com um espírito intraempreendedor, companhias se adequam para atender a novas demandas e se manter próximas aos clientes em potencial. Veja alguns exemplos de modelos de negócios da nova economia a seguir.


1. Startups


Um exemplo, são as Startups que são grupos de pessoas à procura de um modelo de negócios repetível e escalável, trabalhando em condições de extrema incerteza, segundo define o Sebrae. Os unicórnios são exemplos de startups que deram muito certo, como as brasileiras 99taxis, iFood e Nubank.


Para se expandir, essas organizações precisam de capital de investimento – muitas vezes vindo de fundos de Venture Capital. No país, eles aumentaram 40 vezes entre 2012 e 2019, alcançando US$ 2,4 bilhões ou 0,12% do PIB nacional, ilustrando as oportunidades para negócios inovadores.

2. Fintechs


As fintechs (combinação entre as palavras financial e techonology) são empresas que usam a tecnologia para oferecer melhores experiências no uso de serviços financeiros. Elas utilizam softwares e algoritmos para ajudar empresas, donos de negócios e consumidores em geral a gerenciarem suas finanças e realizar transações em computadores e smartphones.


3. Marketplace


O e-commerce foi uma das áreas que mais se beneficiou do desenvolvimento tecnológico, e desta forma, permitiu conectar compradores e vendedores dentro de uma mesma plataforma de vendas. Neste modelo, uma empresa é dona da plataforma e permite que outros lojistas disponibilizem nela seus catálogos de produtos. Desta forma, a companhia proprietária do site ganha uma porcentagem das vendas realizadas no site, sem precisar manter produtos em estoque, apenas oferecendo seus serviços para que a transação seja realizada.


4. Streaming


Outro modelo de negócio baseado no conceito de nova economia são as plataformas de streaming. As gigantes do mercado têm apostado cada vez mais em algoritmos, big data e inteligência artificial para conhecer melhor o perfil e os gostos das pessoas e passar a oferecer o melhor serviço e a melhor experiência aos seus usuários. Nomes como Amazon, Netflix, Spotify e HBO estão cada vez mais investindo em tecnologia e nos melhores profissionais capacitados nela para disputar clientes no mercado.


5. Omnichannel


O Omnichannel é um bom exemplo de modelo de negócio da nova economia. Ele permite que os clientes usem o canal de preferência – on-line ou offline – para ter uma experiência de compra. O cliente pode estar na loja física, por exemplo, e utilizar o aplicativo da loja para efetuar a compra e receber na própria casa.


O contrário também pode acontecer, como quando o cliente realiza uma compra on-line e opta por fazer a retirada de forma presencial na loja física. Ou seja, neste modelo de negócio, todos os canais tecnológicos disponibilizados pela empresa são utilizados para facilitar a experiência do consumidor.


Nova Economia Mundial: Quais São os Maiores Desafios


No Brasil, a formação de mão de obra técnica está entre os desafios mais preocupantes, pois é essencial contar com engenheiros, cientistas e outros especialistas com esse perfil para desenvolver as soluções tecnológicas.


Outros desafios ou barreiras para executivos e empreendedores são:

  • Atrelar os negócios à tecnologia

  • Romper com os modelos de gestão vertical

  • Entender o comportamento do público-alvo

  • Fazer gestão por resultado e produtividade

  • Conferir autonomia e flexibilidade para o colaborador.


Habilidades que os profissionais devem desenvolver


“Os analfabetos do século 21 não são aqueles que não sabem ler e escrever, mas são aqueles que não sabem aprender, desaprender e reaprender”. Essa frase resume bem qual precisa ser a mentalidade dos profissionais da Nova Economia.

Ela foi dita pelo pesquisador, escritor e futurista Alvin Toffler, referindo-se ao lifelong learning, ou aprendizado contínuo. Aliás, essa é uma das habilidades mais relevantes até 2025, segundo o Fórum Econômico Mundial.

Agora, confira outras habilidades essenciais para se destacar no mercado de trabalho da Nova Economia tanto para os líderes quanto para os liderados e equipes:


1. Inteligência Emocional

Só é possível controlar o que você conhece, certo? Ter Inteligência Emocional é, portanto, usar o autoconhecimento para fazer escolhas mais conscientes e construir relações mais saudáveis em todos os âmbitos da vida.

Conheça os 5 pilares da Inteligência Emocional:

  1. Reconhecimento das emoções

  2. Controle das emoções

  3. Automotivação

  4. Empatia

  5. Habilidades interpessoais


2. Liderança e autogestão

Organizações mais horizontais têm transformado o conceito de líder. A figura do líder herói (controlador e centralizador) começa a ser entendida como prejudicial para a empresa, dando espaço para que os colaboradores assumam o protagonismo e saibam fazer a autogestão.

Leia também: O que é Liderança

3. Colaboração

Em um mundo com acontecimentos inesperados e, portanto, cheio de desafios, cooperar para atingir melhores resultados é essencial. Para isso, é preciso estabelecer diálogos construtivos, com escuta empática e compartilhamento de responsabilidades.

4. Capacidade analítica

Ter pensamento crítico e capacidade de resolução de problemas complexos já são habilidades obrigatórias. Mas é preciso ir além para conseguir se destacar: ser capaz de tomar decisões com assertividade, agilidade e pensamento crítico.

5. Alfabetização de dados

A tomada de decisões está cada vez mais descentralizada e as rotinas vêm acompanhadas de uma quantidade crescente de dados e informações para serem analisadas. Portanto, profissionais que sabem fazer esse tipo de análise saem na frente no mercado de trabalho.

6. Criatividade

A automatização é uma realidade para vários tipos de trabalhos. Um robô pode simplificar atividades, deixando o lado humano do trabalho para nós, os humanos! Portanto, nosso potencial de pensar em soluções inovadoras é um ativo para as empresas.

E, pode ficar tranquilo, não é uma questão de nascer criativo ou não. Ou seja, a criatividade é treinável e pode (por que não dizer, deve) ser desenvolvida.

7. Adaptação e flexibilidade

Com o mundo em movimento, é indicado que os profissionais possam enxergar os acontecimentos inesperados como oportunidades e não obstáculos – habilidade que o ensino tradicional não ensina. Essa capacidade torna a rotina de trabalho mais fluida e eficiente.


Práticas recomendadas para empresas


No mundo VUCA (ou seja, Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo), as empresas precisam se reinventar de várias maneiras. Veja alguns exemplos:

1. Ambidestria

O conceito significa pensar no momento atual, mas também no futuro da organização. E ter equipes trabalhando nestes planos. Neste sentido, você pode propor uma transformação total do negócio ou uma inovação ligada à expansão, ou seja, trazer mais clientes.

2. Inovação antecipatória

Lembra do exemplo da Netflix? Aqui ele cabe bem. É claro que o futuro não é previsível, mas estar atento a tendências e inovar a partir dessa análise é um bom caminho para estar à frente do seu concorrente.

Leia também: Gestão da Inovação.


3. Gestão da mudança

As mudanças serão cada vez mais frequentes e, por isso, é preciso ser ágil. Isso não significa fazer tudo às pressas, sem considerar variáveis.

Leia também: Gestão da Mudança

Portanto, a gestão da mudança é uma metodologia que visa apoiar e preparar os colaboradores em novos processos ou estruturações com o objetivo de se obter os melhores resultados.


Velha Economia x Nova Economia


A Nova Economia acontece toda vez que a tecnologia altera de forma ampla as cadeias de valor de um negócio. Exemplos disso são fatos históricos como a Revolução Industrial, dominação do petróleo e a era da comunicação.


O que diferencia as empresas não é apenas a inclusão de tecnologia, mas ter tecnologia própria, com uma equipe multidisciplinar que produz suas próprias ferramentas, modelos, testes e posicionamentos


Enquanto a velha economia entrega um produto ou serviço seguindo atuação linear, a nova economia reúne ambos na mesma cadeia produtiva.


O ponto em comum entre empresas tradicionais que passam por essa transição são os acionistas que entendem do negócio como um todo. O acionista é o responsável por fazer essa mudança pois entendeu a mentalidade digital e tem poder de decisão.

VELHA ECONOMIA

NOVA ECONOMIA

Negócios Tradicionais

Negócios Inovadores

Analógico

Digital

Foco no produto

Foco no Cliente

Valorização do Capital

Valorização do Conhecimento

Hierarquia

Autonomia

Evitar os Erros

Errar logo para Aprender Rápido

Fugir dos Problemas

Soluções com Criatividade e Inovação

Objetivo

Propósito

Chefe

Líder Inovador

Fugir das Mudanças

Provocar Mudanças

Crescimento Linear

Crescimento Exponencial

Distância dos Problemas Coletivos/Sociais

Responsabilidade Social

Ferramentas para a construção do futuro

Bem-vindo ao futuro da Nova Economia. Ou seria ao presente? As ferramentas que listamos abaixo serão mais frequentemente usadas nas empresas, mas todas elas estão presentes em organizações com um DNA inovador.

1. Dados Science ou Ciência de Dados

O futuro é data-driven, ou seja, orientado por dados. Aliás, você já ouviu por aí que dados são o novo petróleo? Antes de mais nada, para compreender completamente essa afirmação, vale muito a pena ler esta frase de Clive Humby, matemático que estuda o fenômeno: “Os dados são o novo petróleo. É valioso, mas se não refinado, não pode realmente ser usado”.

Com a hiperconectividade, as empresas e os clientes produzem uma quantidade gigantesca de dados. Mas ela precisa do nosso lado humano para analisar e, assim, gerar insights, ideias, melhorias ou novos produtos e serviços.

2. Metodologias ágeis

Um mercado supercompetitivo exige inovações e tomadas de decisão rápidas. Muitas vezes, é esse timing que vai diferenciar uma empresa de sua concorrente. Por isso, as empresas tendem a adotar, cada vez mais, as metodologias ágeis. São modelos de gestão mais eficientes e que levam a adiante o propósito da empresa. O objetivo é tanto tornar os processos mais ágeis, como também gerar valor.

Veja quatro valores do Manifesto Ágil:

  1. Indivíduos e interações acima de processos e ferramentas.

  2. Software em funcionamento acima de documentação abrangente.

  3. Colaboração com o cliente acima de negociação de contratos.

  4. Responder a mudanças acima de seguir fielmente um plano.

3. Design Thinking

Estamos em uma era em que o consumidor troca informações com outros clientes, pesquisa preços de forma rápida e é cercado por anúncios que querem seu clique. Em outras palavras, o cliente é disputado e as empresas que querem conquistá-lo precisam conhecê-lo a fundo. Para isso, as organizações podem contar com o Design Thinking, uma abordagem centrada no usuário que utiliza os princípios do design na criação ou melhoria de produtos e serviços.

Leia também: Design Thiking e o RH

Para gerar insights e ideias, o Design Thinking é constituído por três fases: imersão, ideação e implementação. Ao final, são colhidos dados para realizar ajustes de rota.

4. Metodologia Lean ou Gestão Enxuta

Também associada ao Manifesto Ágil, a Metodologia Lean é uma filosofia de gestão inspirada em práticas e resultados do Sistema Toyota, que visa evitar desperdícios – de tempo, verba, mão de obra, etc.

Dessa forma, é preciso estar atento para problemas que possam estar atrapalhando processos; oferecer apoio à equipe para garantir a qualidade e agilidade das entregas; e estabelecer fluxos de trabalho claros, com priorização de demandas.


O que é a Nova Economia no Brasil?


A Nova Economia no Brasil é uma revolução silenciosa. O uso massivo da tecnologia, acelerado pela pandemia de Covid-19 e a globalização, abre oportunidades para novos negócios e para a transformação massiva de negócios da velha economia.


Porém, apenas algumas empresas estão percebendo este movimento e olhando para o futuro. Excelência na prestação de serviços é um dos pilares da nova economia. Se no passado ter um serviço ruim era aceitável, na nova economia não é.


Embora pareça óbvio dizer que o mundo mudou, algumas empresas e pessoas ainda não compreenderam plenamente estas mudanças.


Para Diego Barreto, VP de Finanças e Estratégia do iFood:

“É um cenário turbulento e dinâmico, e manter-se preso a antigos paradigmas e práticas pode significar ser engolido por negócios alinhados com princípios da inovação constante. Dominar as novas regras são atitudes que definem quem permanece no mercado”.

É fundamental entender quais as práticas da Velha Economia que estão impactando negócios e empresas. Além disso, incorporar conceitos como diversidade, inclusão, sustentabilidade e transparência radical são fatores determinantes do sucesso das empresas brasileiras na nova economia.

O RH da Nova Economia

1. Avalia o fit cultural dos candidatos


Foi-se o tempo que as competências técnicas de um profissional eram determinantes para ele ocupar uma vaga ou não. Hoje, essas habilidades são tão importantes quanto o alinhamento dos valores do candidato com os da organização.

Leia também: O que é Fit Cultural.

A combinação da forma de pensar e agir entre as duas partes traz benefícios para todos. De um lado, o profissional sente que encontrou o lugar e os colegas certos para trabalhar, o que facilita a adaptação dele aos processos da empresa. De outro lado, a empresa pode contar com um colaborador motivado, engajado e produtivo.


2. Data-driven


O RH da nova economia não dá vez para achismos! A área acompanha de perto os indicadores de desempenho, os chamados Key Performance Indicators (indicadores chaves de desempenho), pois sabe que eles são essenciais para melhorar processos, corrigir falhas e provar o valor da área de gestão de pessoas para toda a empresa.


3. Pessoas


As pessoas são o bem mais valioso que uma empresa tem. É com esse jeito de pensar que o RH contemporâneo desdobra as suas estratégias, como a de dar autonomia para os colaboradores tomarem decisões e pensarem soluções quando surge um problema.

Os objetivos da organização também são compartilhados entre todos, o que estimula um ambiente mais colaborativo e empático.


Em momentos de avaliação de desempenho, a performance individual é apenas um dos itens considerados. Entra nessa conta quem o profissional ajudou durante a jornada, o que reforça a importância das pessoas para o sucesso individual e coletivo. O ciclo se fecha e recomeça.


4. Investimento em tecnologia


Ferramentas digitais são indispensáveis na rotina do RH da nova economia, que precisa atuar de forma cada vez mais estratégica para apoiar os objetivos do negócio.

Soluções de recrutamento e seleção, que automatizam processos operacionais e garantem mais agilidade, eficiência e precisão nas contratações, e assim eliminam papeladas.


Outra tecnologia que está brilhando os olhos das equipes de gestão de pessoas é a inteligência artificial, que aponta os candidatos com mais potencial e afinidade com a vaga aberta.


5. Valorização da diversidade


Uma equipe formada por pessoas de diferentes formações, gêneros, raças, experiências e ideias é mais instigante e constrói um ambiente organizacional propício ao crescimento pessoal e profissional dos próprios colaboradores.


Com tantas perspectivas, as possibilidades de solucionar um problema e de inovar também aumentam. Investir em diversidade ainda contribui para o employer branding, pois transmite a imagem de uma empresa livre de preconceitos.


Conclusão


A nova economia foca na entrega de bem-estar e valor ao cliente, construindo negócios embasados em propósito, demandas sociais, criatividade e empreendedorismo interno.


Flexibilidade e autonomia estão entre as características desejáveis para se adaptar a essa nova dinâmica, tanto na condução de empresas quanto da carreira.

 

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